Como o Ciclo Menstrual Pode Afetar o Cérebro? Ciência Explica!
Você sabia que o ciclo menstrual pode afetar o cérebro? Pesquisadores notaram mudanças significativas devido aos hormônios
À primeira vista, cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, mapearam em detalhes como os hormônios do ciclo menstrual provocam mudanças estruturais no cérebro.
Publicado em julho na revista Human Brain Mapping, o estudo então revelou que essas alterações não se limitam às áreas ligadas diretamente ao ciclo menstrual. Pelo contrário, elas afetam diversas regiões cerebrais ao longo de todo o período menstrual.
Pesquisa: De que Forma o Ciclo Menstrual pode Afetar o Cérebro?

Os pesquisadores, em síntese, acompanharam 30 mulheres ao longo de seus ciclos menstruais para registrar as mudanças estruturais no cérebro. Mudanças essas causadas pela liberação de hormônios como estrogênio, progesterona, hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH).
Desse modo, as participantes realizaram exames de Ressonância Magnética (RM) em três momentos: durante a menstruação, na ovulação e na fase lútea média – período que ocorre após a ovulação e dura cerca de 14 dias. Além das imagens cerebrais, os níveis hormonais foram igualmente monitorados.
Os resultados indicaram que as flutuações hormonais impactam diretamente os volumes de substância cinzenta (que processa impulsos nervosos), substância branca (ligada a funções cognitivas e aprendizado) e líquido cefalorraquidiano, responsável por proteger e nutrir o sistema nervoso central.
“O estudo viu alterações cerebrais na ressonância magnética, mas não foi feita uma correlação com os sintomas que elas apresentaram. Não foi questionado se elas tinham algum sintoma e quais eram esses sintomas e suas gravidades. Então, é um aspecto que ainda precisamos aprofundar."
– Barbosa, coordenadora da Neurologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília
Descobertas Sobre as Transformações Cerebrais
Enfim, o estudo revelou que o hormônio folículo-estimulante, que apresenta um pico antes da ovulação, está ligado ao aumento da espessura da massa cinzenta. Por outro lado, a progesterona, que eleva seus níveis após a ovulação, foi associada ao crescimento do tecido cerebral e à redução do volume do líquido cefalorraquidiano.
Segundo Barbosa, essas descobertas abrem caminhos para compreender melhor sintomas relacionados tanto ao ciclo menstrual quanto à menopausa. “O fato é que conseguimos documentar que existem, sim, alterações estruturais e o cérebro é sensível a essas variações hormonais”, afirma a especialista.
Acima de tudo, o grande diferencial desse estudo é a aplicação de métodos de imagem mais avançados, que permitem explorar com precisão como os hormônios menstruais afetam áreas cerebrais específicas. Esse avanço representa um impacto positivo e aprofunda o entendimento sobre a conexão entre hormônios e funções cerebrais.
O Que Já Sabíamos da Conexão entre Menstruação e Cérebro?

Pessoas que menstruam vivenciam diversas mudanças hormonais ao longo da vida, desde a menarca (primeira menstruação), passando pela gestação em alguns casos, até a menopausa. Essas variações, contudo, podem desencadear alterações de humor, como irritabilidade, sintomas depressivos e ansiosos, além de distúrbios no sono, fadiga, dores e cefaleias, por exemplo.
Barbosa destaca que, durante o ciclo menstrual, algumas condições pré-existentes, bem como crises de enxaqueca ou epilepsia catamenial, podem se agravar. “Muitos desses sintomas passam sem explicação”, pontua.
Já Helga Marquesini, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, acrescenta que estudos já indicam como o ciclo menstrual pode impactar o cérebro, ativando ou desativando áreas relacionadas à fala, emoções e memórias.
Referência: CNN Brasil.
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