Estudo Indica o Dobro de Casos de Câncer de Próstata até 2040
Um estudo alarmante projeta o dobro de casos de câncer de próstata em até duas décadas. Veja os números detalhados!
Antes de mais nada, um estudo conduzido pela The Lancet Commission projeta um aumento significativo nos casos de câncer de próstata, passando de 1,4 milhão por ano em 2020 para 2,9 milhões anualmente até 2040. Acima de tudo, essa tendência é especialmente marcante em países de baixa e média renda.
Prevê-se que a maioria dos óbitos decorrentes dessa condição ocorra nessas nações, onde já se observa um crescimento alarmante tanto no número de casos quanto nas taxas de mortalidade. Do contrário, as mortes por câncer de próstata têm diminuído em grande parte dos países de alta renda desde a década de 1990.
Em Detalhe: Dobro de Casos de Câncer de Próstata
O estudo, sobretudo, aponta um alarmante aumento no número de mortes anuais devido ao câncer de próstata, prevendo um aumento de 85% ao longo de duas décadas. Isso significa que as mortes decorrentes dessa doença devem saltar de 375 mil, em 2020, para quase 700 mil até 2040.
No Brasil, o câncer de próstata figura como o segundo tipo mais comum entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. A idade, afinal, emerge como um fator de risco significativo, já que a incidência da doença é mais alta em indivíduos com mais de 60 anos.
Os pesquisadores, nesse sentido, enfatizam que o envelhecimento da população e o consequente aumento da expectativa de vida contribuem para o crescimento do número de homens mais velhos. Logo, consequentemente, eleva-se o risco desse câncer.
Visão de Especialista
Em entrevista à CNN, Bruno Benigno, um dos chefes de urologia e oncologia do Hospital Oswaldo Cruz, compartilhou sua concordância com essa perspectiva:
“É preciso levar em consideração que o principal fator de risco [para o câncer de próstata] é a idade. Nós estamos vendo que, nos países em desenvolvimento, a população está envelhecendo. Isso está acontecendo com o Brasil, por exemplo, pois já temos mais adultos do que jovens. Isso significa que teremos, nos próximos anos, uma proporção maior da população brasileira na faixa etária acima dos 60 anos de idade, o que por si só é um fator de risco maior para o câncer de próstata”, comenta.
Desigualdade Global na Detecção Precoce do Câncer de Próstata
Nos países de alta renda, a detecção precoce do câncer de próstata é predominantemente realizada por meio do teste de PSA. No entanto, esse exame frequentemente identifica tumores de baixo grau de agressividade, os quais muitas vezes podem não necessitar de tratamento imediato, sendo apenas monitorados por meio de uma estratégia conhecida como “vigilância ativa”.
A comissão do estudo sugere que nos países desenvolvidos, o rastreamento muitas vezes é excessivo em homens idosos com baixo risco, sem benefícios para os mais jovens em maior risco. Por outro lado, em países de baixa e média renda, a maioria dos diagnósticos ocorre em estágios avançados, destacando a necessidade urgente de rastreamento.
“Aqui no Brasil, por exemplo, se você deixa de fazer esse rastreamento, os pacientes que já têm um acesso difícil ao urologista vão chegar cada vez mais tarde no consultório, quando o câncer já está avançado”, aponta Benigno.
Debate sobre o Rastreamento do Câncer de Próstata
Atualmente, há um debate em curso sobre a pertinência dos exames de rastreamento para o câncer de próstata. O Ministério da Saúde e o Inca, então, têm se abstido de recomendar o rastreamento em larga escala, citando estudos que questionam sua eficácia na redução da mortalidade e apontam possíveis danos à saúde masculina.
Em contrapartida, entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Urologia advogam pela realização desses exames como meio de detectar precocemente a doença.
“A investigação para detecção precoce é fundamental para diagnosticar o câncer de próstata enquanto ele ainda está localizado somente no órgão. As chances de cura nessas situações supera os 90%”.
- André Berger, uro-oncologista e professor adjunto no departamento de urologia da University of Southern California, em Los Angeles
Referência: CNN Brasil.
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