Estudo: Perda Auditiva Acelera Declínio da Mente
Realização de uma pesquisa com brasileiros reforça que a perda auditiva acelera declínio da mente de forma significativa. Veja!
Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP), a princípio, trouxe novas evidências com base na população brasileira, reforçando a ligação entre a perda auditiva e o declínio das funções cognitivas. Os pesquisadores, sobretudo, alertam que é hora dos sistemas de saúde priorizarem medidas preventivas.
A audição começa a enfraquecer a partir dos 40 anos, principalmente nas frequências mais agudas. Aos 60, cerca de 12% das pessoas já apresentam perda significativa. Esse número salta para 58% entre os idosos com 90 anos.
Como a Perda Auditiva Acelera Declínio da Mente?

A pesquisa utilizou dados do Elsa-Brasil, um estudo longitudinal que acompanha os mesmos participantes ao longo dos anos. Nesta análise, então, foram avaliadas 805 pessoas com idades entre 34 e 74 anos, acompanhadas em três momentos diferentes ao longo de oito anos.
Em suma, os participantes realizaram exames de audiometria e testes de desempenho cognitivo, incluindo memória, fluência verbal e funções executivas, por exemplo. Os pesquisadores igualmente coletaram informações sobre saúde geral e variáveis sociodemográficas, bem como idade, sexo, raça e nível de escolaridade.
Após o tratamento estatístico, que isolou fatores como estilo de vida e condições de saúde, os dados confirmaram: a perda auditiva está associada a um declínio cognitivo global mais acentuado. Logo, os resultados foram publicados no Journal of Alzheimer’s Disease.
“Esse tipo de acompanhamento ao longo do tempo gera evidências mais robustas.”
– Alessandra Samelli, fonoaudióloga e professora da Faculdade de Medicina (FM) da USP
Alerta para Prevenção da Perda Auditiva
Para a pesquisadora Alessandra Samelli, embora os mecanismos que explicam a relação entre perda auditiva e declínio cognitivo ainda não estejam completamente esclarecidos, as evidências atuais já são suficientes para reforçar a necessidade de políticas de prevenção.
“Por exemplo, alguém que trabalhou a vida toda em ambiente com ruído e não usou adequadamente os equipamentos de proteção auditiva, muito provavelmente vai ter uma perda auditiva maior. Uma pessoa com problemas cardiovasculares também tem maiores chances de apresentar perda auditiva, pois estas doenças podem prejudicar o sistema auditivo”, diz Samelli.
Além disso, estudos anteriores têm indicado de forma consistente que a meia-idade representa uma janela crítica. Segundo os dados, o fator mais determinante para o comprometimento cognitivo seria o início da perda auditiva nessa fase da vida — e não necessariamente o grau de perda apresentado na velhice.
Por Que Há essa Ligação?
Uma das hipóteses mais aceitas para explicar a relação entre perda auditiva e declínio cognitivo é a redução na oferta de estímulos ao cérebro. Segundo especialistas, o cérebro depende de diferentes vias sensoriais — como a audição, visão e tato — para se manter ativo.
Quando uma dessas fontes é comprometida, especialmente a auditiva, há um impacto direto na estimulação cerebral, o que pode acelerar processos de deterioração cognitiva.
“Há menos coisa chegando fazendo com que seu cérebro trabalhe, acione a comunicação entre os neurônios. Temos estudos com ressonância magnética funcional mostrando que a pessoa que ouve menos tem áreas mais dormentes, menos ativas no cérebro, como a da linguagem”, aponta a médica Claudia Suemoto.
Referência: Jornal USP.
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