Glicose Alta pode Causar Trombose? Entenda essa Relação
De acordo com cientistas, um novo mecanismo que ocorre em nosso fluxo sanguíneo comprova que a glicose alta pode causar trombose
Cientistas do Cepid Redoxoma, do Instituto de Química da USP, descobriram novos mecanismos pelos quais a hiperglicemia pode causar trombose. A princípio, a pesquisa abre caminho para o desenvolvimento de estratégias específicas que possam prevenir disfunções cardiovasculares em pessoas com diabetes ou que apresentam hiperglicemia persistente. Os achados foram publicados no Journal of Thrombosis and Haemostasis.
Em outro estudo de 2022, publicado na Plos One, pesquisadores mostraram que, entre 2005 e 2017, a hiperglicemia foi o fator de risco mais associado a mortes por doenças cardiovasculares no Brasil, superando outros fatores de risco modificáveis.
De que Forma a Glicose Alta pode Causar Trombose?
Antes de mais nada, os pesquisadores descobriram uma proteína que, em situações de excesso de glicose no sangue, intensifica o acúmulo de plaquetas na parede dos vasos, desencadeando a formação de trombos — coágulos que podem bloquear o fluxo sanguíneo.
A hiperglicemia, sobretudo, caracterizada pelo excesso de glicose no sangue, é uma das manifestações do diabetes e está associada ao aumento do risco de trombose. Essa condição prolongada provoca disfunção endotelial, favorecendo a adesão das plaquetas e a formação de coágulos.
O endotélio, revestimento interno dos vasos sanguíneos, desempenha um papel fundamental na regulação da circulação. Enquanto isso, as plaquetas, produzidas pela medula óssea, ajudam na coagulação sanguínea.
“A principal causa de morte na população brasileira e em vários outros países latino-americanos são eventos isquêmicos, doenças cardiovasculares, como infarto e AVC isquêmico, nos quais a trombose arterial é o evento causal precipitante. Essas doenças podem ser desencadeadas por uma série de fatores de risco, como hiperglicemia, dislipidemia e hipertensão”.
– Renato Gaspar, um dos pesquisadores e atualmente professor do Departamento de Medicina Translacional da Universidade de Campinas (Unicamp)
Regulação da Interação entre Plaquetas e Endotélio
Além disso, os pesquisadores identificaram que, em condições de hiperglicemia, a proteína dissulfeto isomerase A1 peri/epicelular (pecPDI) endotelial é crucial na regulação da interação entre plaquetas e o endotélio. Essa regulação então ocorre por meio de proteínas envolvidas na adesão e por alterações na biofísica da membrana endotelial.
“Mostramos uma via da PDI na célula endotelial que é mediadora da trombose no diabetes em condições de hiperglicemia, envolvendo um mecanismo molecular específico, que foi identificado”, explica Laurindo
A pecPDI, uma enzima do retículo endoplasmático — a estrutura celular responsável pela síntese de proteínas e lipídios — é igualmente encontrada no meio extracelular e em diversos tipos de células, incluindo plaquetas e células endoteliais. Vários estudos têm demonstrado que a pecPDI regula a trombose em diferentes modelos experimentais.
Investigação da Adesão Plaquetária em Condições de Hiperglicemia
Os pesquisadores investigaram a relação entre plaquetas e endotélio na hiperglicemia ao desenvolver um modelo com células endoteliais da veia umbilical humana (HUVECs) cultivadas em diferentes concentrações de glicose. Assim, criaram duas condições: células normoglicêmicas, com níveis normais de glicose, e hiperglicêmicas, com um excesso de glicose.
Logo, para avaliar a contribuição da proteína dissulfeto isomerase A1 (PDI), os cientistas utilizaram inibidores de PDI, tanto de célula inteira quanto de pecPDI. À primeira vista, as células foram incubadas com plaquetas coletadas de indivíduos saudáveis.
Eventualmente, os resultados mostraram que, nas células hiperglicêmicas, as plaquetas aderiram quase três vezes mais em comparação às normoglicêmicas. Em síntese, a inibição da PDI anulou esse efeito, permitindo aos pesquisadores concluir que a pecPDI do endotélio regula esse processo.
Citoesqueleto e Rigidez
A próxima etapa do estudo envolveu a investigação se a reorganização do citoesqueleto influenciava a rigidez das membranas celulares, uma vez que as plaquetas tendem a se aderir a superfícies mais rígidas. Desse modo, eles descobriram que as células hiperglicêmicas apresentavam uma rigidez maior em comparação às células normoglicêmicas.
Os experimentos de microscopia de força atômica foram realizados em colaboração com a equipe da pesquisadora Luciana Magalhães Rebelo Alencar, do Departamento de Física da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
As imagens capturadas por microscopia revelaram a formação de prolongamentos nas células. Essa descoberta levou os pesquisadores a explorar o conjunto de proteínas secretadas pelas células, conhecido como secretoma, para verificar se elas estavam liberando proteínas que poderiam intensificar a adesão das plaquetas.
“Foi importante no trabalho abordar aspectos bioquímicos e biofísicos. Eu acho que a gente quase nunca pensa na biofísica, por exemplo, na rigidez de proteínas. Mostrar que a PDI de alguma forma regula essa rigidez na célula endotelial talvez abra uma forma de pensar um pouco além da bioquímica”
– Renato Gaspar
Referência: Jornal USP
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