Como Surge o Lúpus? Causa pode Ser Vírus da Infância; Veja!
A princípio, um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, aponta que um vírus comum, geralmente contraído ainda na infância, relaciona-se ao desenvolvimento do lúpus em praticamente todos os casos.
No Brasil, o lúpus eritematoso sistêmico afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia. A doença, sobretudo, é crônica e autoimune, representando um desafio tanto para médicos quanto para pacientes.
Qual Vírus Explica Como Surge o Lúpus?
Os pesquisadores, nesse sentido, identificaram como principal agente o vírus Epstein-Barr (EBV), responsável pela mononucleose. Em suma, ele provoca sintomas como dor de garganta, febre e inflamação das amígdalas, em intensidades variadas, por exemplo.
A infecção é extremamente comum: cerca de 19 em cada 20 adultos já tiveram contato com o vírus, que permanece dormente no DNA das células ao longo da vida. Ainda assim, o estudo mostrou que pessoas com lúpus apresentam 25 vezes mais células B infectadas pelo EBV em relação a indivíduos saudáveis.
Essas células B, por sua vez, são um tipo de linfócito e, portanto, o vírus se instala justamente nas células autorreativas — aquelas com potencial de atacar o próprio organismo.
"Se você levou uma vida normal, a probabilidade de ter o vírus é de quase 20 para 1."
William Robinson, autor sênior do estudo
Processo Dentro do Corpo
Após a infecção, essas células passam por uma reprogramação através de uma proteína viral, que ativa genes específicos. Como resultado, elas se transformam em células capazes de atacar os próprios tecidos do organismo e, além disso, recrutam outras células do sistema imunológico para intensificar esse processo inflamatório.
A pesquisa reforça igualmente que o vírus Epstein-Barr não atua isoladamente. O lúpus afeta mais mulheres, possivelmente porque hormônios como o estrogênio aumentam a atividade das células B e potencializam a resposta imune.
Além disso, pessoas com ascendência africana, caribenha ou asiática apresentam maior risco de desenvolver a doença. Dessa forma, os pesquisadores destacam que o surgimento do lúpus resulta da combinação entre fatores virais, hormonais e genéticos.
Esperança de Tratamentos
Essa descoberta abre espaço para novas estratégias terapêuticas no tratamento do lúpus. Atualmente, vacinas contra o vírus Epstein-Barr já estão em fase de testes clínicos, e a compreensão do mecanismo de ação do vírus pode acelerar o avanço dessas pesquisas.
Similarmente, terapias já utilizadas na oncologia, que atuam na eliminação de células B, vêm sendo estudadas como alternativa para casos graves da doença.
“Acho que isso realmente prepara o terreno para uma nova geração de terapias que poderiam fundamentalmente tratar e, assim, fornecer benefícios aos pacientes com lúpus“, aponta Robinson.
Referência: Exame.com.
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