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Você Sabia? Diagnosticar Autismo no Brasil pode Levar Até 4 Anos

 

Diagnosticar autismo no Brasil, desde já, pode exigir um percurso longo entre a identificação dos primeiros sinais e a confirmação clínica. Uma revisão de estudos liderada pelo Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe encontrou esperas de até 49 meses, principalmente em serviços de nível terciário.

O cenário chama atenção porque muitas famílias reconhecem alterações no desenvolvimento precocemente e buscam atendimento. No entanto, essa procura nem sempre resulta em uma avaliação estruturada ou no encaminhamento adequado.

Os Impactos de Diagnosticar Autismo de Forma Tardia

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Entre os principais entraves, antes de tudo, estão a investigação insuficiente das preocupações apresentadas pelas famílias, a falta de uma vigilância sistemática do desenvolvimento e os obstáculos para encaminhar os pacientes aos especialistas.

Além disso, esses fatores se acumulam ao longo da jornada de cuidado. Quando a preocupação da família não desencadeia uma avaliação adequada, a equipe pode perder oportunidades de identificar sinais precoces.

Nesse sentido, a atenção primária ainda participa de forma limitada da identificação inicial do autismo. Assim, o sistema mantém uma forte dependência de neurologistas e psiquiatras, concentrados principalmente nos serviços de nível terciário.

“Dois ou três anos na vida de uma criança pequena é muito tempo, porque estamos falando de uma fase de intenso desenvolvimento. Quanto mais cedo identificamos as necessidades dessa criança, mais cedo ela pode ter acesso às intervenções.”

Família de Estar Sempre Atenta

Outro fator que pode prolongar o diagnóstico é a normalização de sinais apresentados pela criança. Por vezes, a família ou até o médico interpreta essas manifestações pela ideia de que “cada criança tem seu tempo”.

Embora essa percepção possa fazer parte das variações esperadas do desenvolvimento, ela não deve interromper a investigação diante de preocupações persistentes dos cuidadores. Logo, a avaliação clínica precisa considerar o conjunto de sinais e a trajetória do desenvolvimento infantil.

Além disso, os autores destacam que esse cenário não pode ser atribuído apenas à atuação dos especialistas. O problema envolve igualmente lacunas na capacitação para reconhecer sinais precoces, no acompanhamento sistemático do desenvolvimento e na organização dos fluxos de encaminhamento.

Meios para Reduzir o Atraso no Diagnóstico

Acima de tudo, reduzir o atraso para diagnosticar autismo exige mudanças em diferentes etapas da jornada assistencial, como por exemplo:

  1. Fortalecer a atenção primária: Ampliar a participação das equipes na identificação de sinais de alerta e no acompanhamento do desenvolvimento infantil.

  2. Capacitar os profissionais: Preparar médicos e demais especialistas para reconhecer manifestações precoces do TEA e definir os próximos passos da investigação.

  3. Adotar ferramentas estruturadas: Incorporar instrumentos de vigilância do desenvolvimento e rastreio durante as consultas pediátricas, conforme indicação clínica.

  4. Valorizar o relato dos cuidadores: Considerar, antes de tudo, as preocupações da família como um ponto de partida legítimo para a investigação clínica.

  5. Qualificar a escuta das famílias: Por fim, combinar escuta ativa, avaliação clínica e protocolos assistenciais para reduzir oportunidades perdidas ao longo do acompanhamento.

Referência: Portal Medicina S/A.


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