Cientistas Inovam em Avanço no Transplante de Fígado; Descubra!
Utilizando um órgão suíno, uma cirurgia realizada em paciente chinês aponta um importante avanço no transplante de fígado
Na China, à primeira vista, uma equipe liderada pelos cientistas Lin Wang e Deng-Ke Pan realizou um feito inédito. Eles transplantaram com sucesso um fígado de porco geneticamente modificado em um ser humano.
Desde o século XVII, pesquisadores tentam usar órgãos de animais para substituir os humanos e salvar vidas. No entanto, a maior barreira sempre foi a rejeição do corpo ao órgão transplantado, o que limitava os avanços nessa área.
Mais sobre o Avanço no Transplante de Fígado

A cirurgia, ainda em fase experimental, foi realizada em um paciente com morte cerebral. Ainda assim, o resultado foi promissor: o fígado suíno não sofreu rejeição durante os dez dias em que permaneceu ativo, recebendo o sangue do novo hospedeiro e produzindo albumina e bilirrubina — duas substâncias fundamentais para a saúde do corpo.
Normalmente, a rejeição acontece porque o sistema imunológico identifica o órgão transplantado como uma ameaça. Então, cada organismo emite sinais específicos, e ao reconhecer o órgão como “estranho”, o corpo tenta combatê-lo. No caso do fígado, contudo, o desafio é ainda maior.
Diferente do coração ou dos rins, que têm funções mecânicas mais diretas, o fígado realiza diversas atividades metabólicas complexas. Logo, o sucesso alcançado pelos cientistas chineses representa um avanço notável.
O Transplante em Prática
Os cientistas recorreram à técnica de edição genética mais avançada para modificar o DNA de porcos criados especialmente para transplantes. Assim, conseguiram neutralizar moléculas responsáveis por provocar rejeição no corpo humano.
Além disso, eles inseriram no genoma dos animais instruções para que suas células produzissem duas substâncias humanas que ajudam a regular a imunidade e a impedir a coagulação excessiva. Apesar do avanço, ainda são necessários estudos clínicos com grupos maiores.
Um dos pontos de atenção é o risco biológico: testes em animais indicam que os órgãos podem carregar patógenos próprios da espécie. Embora a transmissão para humanos seja considerada pouco provável, os xenotransplantes levantam preocupações quanto ao surgimento de novas infecções.
Xenotransplante: Esperança para Quem Está na Fila por um Órgão

A substituição de um órgão só acontece quando todas as opções de tratamento se esgotam — ainda assim, milhares de pessoas seguem na fila por um transplante. No Brasil, mais de 42 mil pessoas aguardam por um rim, enquanto outras 2.300 esperam por um fígado. É uma realidade desafiadora que exige soluções inovadoras e urgentes.
Nesse sentido, o Brasil tem potencial para assumir um papel de destaque. Em 2024, a USP inaugurou um centro dedicado exclusivamente à pesquisa em xenotransplantes. Os pesquisadores já conseguiram desenvolver embriões suínos sem os genes responsáveis pela rejeição e avançaram na criação de porcos estéreis e livres de patógenos.
Eventualmente, o desafio é unir essas conquistas em uma só linhagem. Segundo o professor Raia, a equipe está otimista e adiantada — o que sinaliza que novos marcos na medicina podem estar mais próximos do que se imagina.
Referência: Veja Abril.
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