Novo Tratamento para Vitiligo Utiliza Nanotecnologia; Conheça!
Um novo tratamento para vitiligo vem ganhando destaque na comunidade científica ao reunir nanotecnologia e biotecnologia. Em suma, elas devem ser capazes de atuar tanto no controle da inflamação crônica quanto na recuperação da pigmentação da pele.
No estudo, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisam como sistemas baseados em nanotecnologia podem modular vias moleculares diretamente relacionadas à destruição dos melanócitos — células responsáveis pela produção de melanina.
A pesquisa está em veiculação na revista Clinical Reviews in Allergy & Immunology.
Como Funciona o Novo Tratamento para Vitiligo?

As pesquisas mais recentes, antes de tudo, apontam para o uso de anticorpos e pequenas moléculas desenvolvidas para atuar em alvos específicos do sistema imunológico. Dessa forma, essas estratégias buscam modular a resposta inflamatória associada ao vitiligo de maneira mais precisa.
Sobretudo, os fármacos são encapsulados em nanopartículas, estruturas microscópicas projetadas para ultrapassar o estrato córneo — camada mais externa da pele. Eventualmente, pode alcançar regiões mais profundas, onde ocorrem os processos relacionados à doença.
Além de favorecer a penetração dos ativos, a nanotecnologia permite uma liberação gradual e prolongada dos medicamentos. Como resultado, estudos indicam que essa abordagem pode aumentar a eficácia terapêutica em comparação com tratamentos convencionais.
“A incorporação simultânea de diferentes RNAs silenciadores e outros fármacos a um único sistema nanoestruturado pode viabilizar uma estratégia multialvo, permitindo controlar a resposta imune e estimular a repigmentação de forma concomitante.”
– Ana Vitória Pupo, pesquisadora
Processo para Silenciar Genes
Em pacientes com vitiligo, determinados genes podem apresentar superexpressão, ou seja, tornam-se excessivamente ativos e passam a estimular a produção de moléculas inflamatórias em níveis elevados. Isso contribui para a resposta autoimune que leva à destruição dos melanócitos e, consequentemente, ao surgimento das áreas despigmentadas.
Nesse sentido, uma das estratégias em investigação é o RNA de silenciamento (RNAi). A técnica tem como objetivo degradar o RNA mensageiro (mRNA), molécula responsável por transportar as instruções genéticas para a síntese de proteínas.
Segundo Ana Vitória Pupo, além do RNA de silenciamento direcionado a um alvo molecular específico, é necessário associá-lo a uma plataforma baseada em nanotecnologia. Assim, é capaz de proteger o material genético e transportá-lo de forma segura até as células-alvo da pele.
Período de Testes
Os primeiros testes da estratégia foram conduzidos em modelos animais. No estudo, camundongos com vitiligo induzido receberam, durante 15 dias consecutivos, aplicações de nanopartículas contendo fármacos associados a RNAs de silenciamento.
Enfim, os resultados preliminares — que ainda não foram publicados — indicam redução da resposta imune citotóxica, restauração de mecanismos de autorregulação do sistema imunológico e sinais de repigmentação da pele.
Com esses achados, então, a próxima etapa do desenvolvimento consiste na realização de estudos clínicos em humanos.
Referência: Jornal USP.
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