Avanço: Autocoleta para Prevenção do Câncer do Colo do Útero
Um estudo de pesquisadores da USP mostra, à primeira vista, que a autocoleta para prevenção do câncer do colo do útero é viável, confiável e bem aceita pelas pacientes. Assim, ao utilizar urina e amostras vaginais, a estratégia amplia o acesso ao rastreamento.
Os pesquisadores chegaram enfim a essa conclusão após testar os métodos em mulheres com lesões cervicais de alto grau atendidas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Como Funciona a Autocoleta para Prevenção do Câncer do Colo do Útero

A pesquisa acompanhou cem mulheres com mais de 21 anos nas Unidades Básicas de Saúde ao Hospital das Clínicas para colposcopia após alterações no papanicolau ou em biópsias. O estudo, sobretudo, avaliou pacientes atendidas entre janeiro e setembro de 2024.
Além de medir a aceitação da autocoleta de urina e de amostras vaginais, os pesquisadores analisaram a concordância dos testes moleculares para HPV de alto risco. Então, comparou-se o desempenho das amostras autocoletadas às coletas de profissionais de saúde, com foco na precisão diagnóstica.
Os resultados, eventualmente, indicaram alta concordância para o HPV 16 e outros tipos de alto risco em todos os métodos analisados. As participantes, ainda assim, relataram facilidade e conforto tanto na coleta urinária quanto na vaginal.
Vídeo Instrutivo Aumenta Confiança na Autocoleta
A autocoleta de urina se destacou como o método mais aceito pelas participantes. A forte concordância com as amostras de médicos reforça sua aplicabilidade clínica. Além disso, o estudo apontou um recurso decisivo para o sucesso do processo: o uso de um vídeo instrutivo.
Antes da coleta, as participantes responderam a um questionário e assistiram ao material explicativo. Como resultado, cerca de 99% afirmaram que o vídeo facilitou o entendimento das etapas, e todas concordaram que serviços de saúde deveriam adotar esse formato educativo como padrão.
Da mesma forma, para 62% das mulheres, o vídeo aumentou a confiança no uso dos dispositivos. Já 38% consideraram o material útil, mas preferiram contar com a presença de um médico disponível para esclarecer dúvidas após a orientação inicial.
Cenário da Doença
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de colo do útero ocupa a quarta posição entre as principais causas de morte por câncer em mulheres no Brasil. A estimativa, sobretudo, indica cerca de 17 mil novos diagnósticos por ano no período de 2023 a 2025.
Nesse sentido, o Ministério da Saúde publicou, em março de 2024, novas diretrizes que autorizam o uso de testes moleculares para detecção do papilomavírus humano oncogênico de alto risco (HPV-AR) como método de rastreamento primário do câncer de colo do útero.
Referência: Jornal da USP.
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