Exame de Sangue Indica Câncer de Pulmão Até 5 Anos Antes?
À primeira vista, um estudo internacional trouxe uma descoberta promissora para a oncologia: um exame de sangue indica câncer de pulmão ainda antes do surgimento de alterações visíveis nos exames de imagem. Os pesquisadores identificaram sinais biológicos relacionados ao processo inicial de formação do tumor.
A pesquisa, antes de tudo, liderada por cientistas do Francis Crick Institute, no Reino Unido, analisou alterações presentes no sangue. Em suma, mostrou que esse processo pode ser detectado com até cinco anos de antecedência.
Como um Exame de Sangue Indica Câncer de Pulmão?

Segundo os próprios pesquisadores, os resultados, publicados na revista científica Cell, podem contribuir para o desenvolvimento de um exame de sangue voltado ao rastreamento precoce da doença. Além disso, fomenta a ampliação das possibilidades de prevenção.
Para chegar a esse resultado, a equipe utilizou dados do Biobanco do Reino Unido, uma das maiores bases de informações em saúde do mundo. Ela reúne amostras biológicas e históricos clínicos coletados de voluntários muitos anos antes do diagnóstico de diversas doenças.
Com o apoio de algoritmos de inteligência artificial, os cientistas analisaram cerca de 3 mil proteínas presentes nas amostras de sangue. Após um processo criterioso, eles identificaram 14 proteínas com maior potencial para indicar alterações relacionadas ao desenvolvimento futuro do câncer de pulmão.
"O grande mérito desse estudo foi usar inteligência artificial para analisar mais de 3 mil proteínas do sangue e isolar 14 delas que, juntas, funcionam como uma assinatura capaz de indicar, com até cinco anos de antecedência, uma predisposição ao câncer de pulmão."
– Stephen Stefani, oncologista e membro da Americas Health Foundation
O Que os Pesquisadores Descobriram no Sangue?
Os pesquisadores explicam que esse conjunto de 14 proteínas não identifica diretamente o tumor. Mas sim alterações inflamatórias e processos de reparo que ocorrem no tecido pulmonar antes mesmo do aparecimento das células cancerígenas.
Em estudos com camundongos e culturas de células, a equipe observou que a exposição à poluição estimula células do sistema imunológico a liberar proteínas inflamatórias. Isso torna algumas células pulmonares mais suscetíveis a alterações.
Mecanismos semelhantes também foram observados em doenças como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e a fibrose pulmonar, sugerindo uma origem inflamatória em comum.
Pesquisa Requer Paciência
Atualmente, o conjunto das proteínas ainda não está disponível como exame de rotina. Os resultados, sobretudo, fazem parte de uma pesquisa científica e precisam passar por novas etapas de validação para comprovar sua eficácia e segurança .
Caso os próximos estudos confirmem esses achados, a nova estratégia poderá enfim fortalecer o rastreamento personalizado do câncer de pulmão.
Referência: Portal G1.
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